No
primeiro capítulo “Por que são as pessoas”, o autor pretende explicar como
ocorreu a evolução. Dessa forma, consegue-se perceber que características são herdadas
geneticamente, no entanto, elas não são fixas e inalteradas durante o decorrer
dos anos e a reprodução das espécies. Segundo ele, existem muitas concepções
sobre isso, algumas até podem ser consideradas errôneas - vide o texto do livro
“On aggression” de Lorenz. No qual ele afirma que o bem do indivíduo (gene)
prevalece sobre o bem da espécie (grupo). Com esse propósito, Dawkins escreveu
este capítulo porque independentemente de qualquer coisa, isto é um assunto
importantíssimo para o ser humano por tocar todos os aspectos sociais,
psicológicos e morais do indivíduo. No livro, o autor tenta convencer o
leitor, por meio de técnicas argumentativas, sobre como os comportamentos
egoístas e altruístas afetam a evolução. Em uma perspectiva mais clara, os
comportamentos altruístas propiciam a seleção de grupo - aumentando o bem estar
do outro, mesmo que isto possa acarretar em um dano a si mesmo; e os
comportamentos egoístas favorecem apenas a seleção natural do indivíduo - sendo
exatamente o oposto da anterior, em que uma ação beneficiará o próprio, mesmo
que isso cause danos ao terceiro.
Para justificar o perfil egoísta, o autor dá alguns exemplos
como o das gaivotas. Nesse as gaivotas de cabeça preta esperam o vizinho deixar
o seu ninho, a fim de buscar comida. Dessa maneira, a gaivota de cabeça preta
aproveita-se da ausência da outra ave e, egoistamente, vai até o ninho deste e
alimenta-se de seus filhotes. Por conseguinte, a gaivota, além de obter uma
ótima refeição nutritiva sem precisar ir longe, não deixa o seu ninho
totalmente desprotegido, á mercê de predadores. O outro exemplo é o canibalismo
das fêmeas do louva-a-deus. Essas, no ritual de acasalamento comem a cabeça do
macho. Desse modo, em uma visão primária, ela se alimenta e adquire mais
nutrientes para o seu desenvolvimento. Além disso, é possível que o desempenho
sexual do macho aumente com esta atitude. Por outro lado, para explicar o
altruísmo ele utiliza como exemplo o comportamento de aferroar das abelhas
operárias a fim de salvar o mel de possíveis ladrões; nessa situação, o ato de
picar pode ser identificado como altruísta, visto que a abelha operária morre
na tentativa de repelir o invasor. Por fim, existem espécies de pássaros que
fazem o seu ninho no chão, no entanto isso é um grande risco devido a
facilidade de acesso aos predadores. Assim, quando se aproxima um desses, a ave
afasta-se para longe do ninho e, simulando uma asa quebrada, ela as abre;
atraindo, então, a atenção do predador para que ao aproximar-se, a ave escapa e
volta para o ninho com segurança.
Nota-se, portanto, que o autor defende um ponto de vista muito
próprio, em que a evolução é pautada em comportamentos egoístas e altruístas.
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