Dawkins acredita que a cultura é um
motivo para supor que a nossa espécie é única. Mas a transmissão cultural não
exclusiva do ser humano. O exemplo utilizado para explicar este fato é o canto
de um pássaro que habita as ilhas da Nova Zelândia. Nesta ilha existia um
repertorio de 9 canções diferentes e os machos cantavam apenas 1 ou outra
dessas melodias. Já outros grupos de pássaros cantavam outro tipo de canção. Em
algumas situações ocorriam alterações de uma canção originando uma nova melodia
chamada por Jenkins de “mutações culturais”. Então Jenkins conseguiu comparar
as canções emitidas pelo pai e filho e identificou que os padrões melódicos não
eram herdados geneticamente.
O autor afirma que a transmissão
cultural é análoga à transmissão genética podendo dar origem a alguma forma de
evolução. Os genes são as entidades replicadoras mais comuns no planeta e elas
inevitavelmente tornam a base do processo evolutivo. O outro replicador é a
cultura humana chamada pelo autor de meme.
Assim como os genes se propagam
passando de um corpo para outro através dos espermatozoides e óvulos, os memes
pulam de um cérebro para outro através do processo de imitação. A ideia de Deus
muito provavelmente foi replicada por palavra escrita e falada, auxiliada por
música e arte e o valor de sobrevivência deste meme resulta do apelo
psicológico.
No capítulo 2, foi descrito que os
replicadores precisam ter algumas características: longevidade, fecundidade e fidelidade de cópia. Para Dawkins a
longevidade é relativamente pouco importante, pois muito provavelmente aquele
meme que está no meu cérebro durará apenas até o fim da minha vida. Já a
fecundidade é muito mais importante, pois “se o meme for uma ideia científica,
sua difusão dependerá de quão aceitável ela é para a população de cientistas”.
Agora quando se trata de alta fidelidade, os memes não apresentam esta
característica, tendo em vista que quando um cientista ouve uma ideia e depois
a transmite, ele provavelmente mudou bastante colocando suas próprias ideias
misturadas.
O autor afirma que existem duas coisas
que podemos deixar na terra depois que morremos: os genes e os memes. Os genes
serão esquecidos depois de três gerações. Mas, caso tenha contribuído para a
cultura mundial, a ideia poderá sobreviver intacta por muito tempo mesmo que os
seus genes já não exista mais. Este é um lado positivo dos memes.
Finalizando o livro Dawkins diz que os
genes egoístas e os memes não possuem capacidade de previsão, eles são
replicadores inconscientes e cegos.