Uma mãe deve ter um filho favorito, ou
ela deve ser altruísta em relação a todos os outros filhos? Mas antes de responder
a essa questão, R. L. Trivers, em 1972, definiu o que é Investimento parental: “é
qualquer investimento feito pelos pais num descendente que aumente a chance de
sobrevivência (e, portanto, o sucesso reprodutivo) desse descendente, em
detrimento da capacidade dos pais de investir em outros descendentes”, ou seja,
o investimento parental é todo e qualquer investimento dos pais em um
descendente individual que possibilita um aumento na sua probabilidade de sobrevivência.
Voltando a pergunta, Dawkins afirma
que a mãe que possui um filho favorito distribui seus recursos (alimento, o
esforço para a procura de comida, o risco de proteção com a prole, a energia e
o tempo gasto com a manutenção do ninho ou lar e o tempo gasto no ensino) de
forma desigual entre os descendentes.
Dawkins diz que o investimento
parental não é a melhor medida, pois enfatiza excessivamente a importância da
paternidade, em relação a outros relacionamentos genéticos. A forma ideal seria
utilizar uma medida de investimento altruísta em que os investimentos serão igualmente
divididos. Mas alguns descendentes são investimentos melhores do que outros que
se encontram debilitados, então, dependendo das circunstâncias, a mãe se recusa
a alimentar esta cria mal desenvolvida para distribuir sua parte entre os irmãos
ou ainda oferecer esta cria como alimento para eles.
O autor explica que muitas espécies de
aves para conseguir alimento dos seus pais precisam abrir o bico e gritar. A intensidade
do grito de cada animal depende da fome que está sentindo. Entretanto, com um
instinto egoísta, algumas aves mentem quanto à intensidade da sua fome para
obter uma quantidade maior de alimento. Mas se todas estiverem mentindo, o
volume alto será uma norma e deixará de ser uma mentira. Aquele filhote que
reduzir a intensidade do grito receberá uma quantidade menor de alimento que seus
irmãos, aumentando a chance de não sobreviver.
Outras 4 formas de conseguir um bom
alimento são explicadas pelo autor: 1 – quando um filhote grita intensamente
para atrair um predador para o ninho, para então conseguir que os pais o
alimentem; 2 – quando aves colocam os seus ovos em outros ninhos e os pais
precisam alimentá-lo pois o grito intenso deles acaba atraindo predadores; 3 – quando
aves colocam os seus ovos em outros ninhos e esse filhote acaba matando seus irmãos
adotivos para obter sozinho todo o alimento; 4 – outra forma é quando a ave
adotiva eclode antes dos irmãos e joga para fora do ninho todos os outros ovos.
Dawkins conclui que "Um gene que
tenha levado um indivíduo a obter mais do que seu quinhão quando criança
aumenta sua probabilidade de sobrevivência. Mas ao se tornar adulto, seus descendentes
herdariam o mesmo gene egoísta, reduzindo seu sucesso reprodutivo total". Com
isso não existe um vencedor nessa batalha de gerações e sim um acordo entre a
situação ideal desejada tanto pelos pais quanto pelos filhos.