quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A batalha das gerações (Cap. 8)

Uma mãe deve ter um filho favorito, ou ela deve ser altruísta em relação a todos os outros filhos? Mas antes de responder a essa questão, R. L. Trivers, em 1972, definiu o que é Investimento parental: “é qualquer investimento feito pelos pais num descendente que aumente a chance de sobrevivência (e, portanto, o sucesso reprodutivo) desse descendente, em detrimento da capacidade dos pais de investir em outros descendentes”, ou seja, o investimento parental é todo e qualquer investimento dos pais em um descendente individual que possibilita um aumento na sua probabilidade de sobrevivência.
Voltando a pergunta, Dawkins afirma que a mãe que possui um filho favorito distribui seus recursos (alimento, o esforço para a procura de comida, o risco de proteção com a prole, a energia e o tempo gasto com a manutenção do ninho ou lar e o tempo gasto no ensino) de forma desigual entre os descendentes.
Dawkins diz que o investimento parental não é a melhor medida, pois enfatiza excessivamente a importância da paternidade, em relação a outros relacionamentos genéticos. A forma ideal seria utilizar uma medida de investimento altruísta em que os investimentos serão igualmente divididos. Mas alguns descendentes são investimentos melhores do que outros que se encontram debilitados, então, dependendo das circunstâncias, a mãe se recusa a alimentar esta cria mal desenvolvida para distribuir sua parte entre os irmãos ou ainda oferecer esta cria como alimento para eles.
O autor explica que muitas espécies de aves para conseguir alimento dos seus pais precisam abrir o bico e gritar. A intensidade do grito de cada animal depende da fome que está sentindo. Entretanto, com um instinto egoísta, algumas aves mentem quanto à intensidade da sua fome para obter uma quantidade maior de alimento. Mas se todas estiverem mentindo, o volume alto será uma norma e deixará de ser uma mentira. Aquele filhote que reduzir a intensidade do grito receberá uma quantidade menor de alimento que seus irmãos, aumentando a chance de não sobreviver.
Outras 4 formas de conseguir um bom alimento são explicadas pelo autor: 1 – quando um filhote grita intensamente para atrair um predador para o ninho, para então conseguir que os pais o alimentem; 2 – quando aves colocam os seus ovos em outros ninhos e os pais precisam alimentá-lo pois o grito intenso deles acaba atraindo predadores; 3 – quando aves colocam os seus ovos em outros ninhos e esse filhote acaba matando seus irmãos adotivos para obter sozinho todo o alimento; 4 – outra forma é quando a ave adotiva eclode antes dos irmãos e joga para fora do ninho todos os outros ovos.

Dawkins conclui que "Um gene que tenha levado um indivíduo a obter mais do que seu quinhão quando criança aumenta sua probabilidade de sobrevivência. Mas ao se tornar adulto, seus descendentes herdariam o mesmo gene egoísta, reduzindo seu sucesso reprodutivo total". Com isso não existe um vencedor nessa batalha de gerações e sim um acordo entre a situação ideal desejada tanto pelos pais quanto pelos filhos.

Planejamento familiar (Cap. 7)

Dawkins afirma que algumas pessoas tratam da reprodução e o cuidado com a prole separadamente dos outros tipos de altruímo. Mas o que ele faz no capítulo 7 é uma distinção entre colocar novos indivíduos no mundo com o de cuidar dos já existentes, chamando essas duas atividades de produção de descendentes e cuidados para com eles. A máquina de sobrevivência precisa tomar decisões em relação a produzir ou criar, sendo que as duas competem entre si pelo tempo e por outros recursos de um indivíduo. A escolha deve ser tomada pelo individuo: “deverei cuidar desta criança ou deverei produzir outra?”.
Os mamíferos e os pássaros que são os animais em que estamos mais familiarizados são excelentes criadoras, e a decisão de reproduzir geralmente é acompanhada da decisão de criar.
É a respeito dessa questão que existem opiniões distintas sobre a “seleção de grupo”, isto porque Wynne-Edwards, sugeriu que “os animais reduzem deliberada e altruisticamente suas taxas de natalidade pelo bem do grupo como um todo”. Esta hipótese sugerida ganha força, pois a humanidade está reproduzindo demais. O tamanho da população vai depender de 4 fatores: nascimentos, mortes, imigrações e emigrações. Tomando-se a população mundial como um todo, os dois últimos podem ser ignorados ficando apenas com nascimentos e mortes. Mas o autor afirma que o crescimento da população não depende apenas de quantos ela têm, mas também de quando as pessoas têm filhos. Pois quanto maior for os espaços entre as gerações a tendência é que a população crescerá a uma taxa menor por ano e este controle da natalidade é importante para o planejamento familiar.
David lack diz que as aves selvagens controlam o tamanho de suas ninhadas para aumentar o número de filhotes sobreviventes. Esta é uma maneira longe de ser altruísta e sim egoísta, pois o aumento na produção de filhotes tem como custo a menor eficiência na criação por causa da deficiência de alimentos, ficando assim com um número menor que o ideal.
O individuo que possuir filhos acima daquilo que pode conseguir sustentar será punido, porque uma quantidade menor deles sobreviverá. Então a atitude egoísta de limitar o número de nascimentos é válida para a sobrevivência e transmissão dos seus genes para as gerações futuras.
Dawkins conclui que os indivíduos realizam o planejamento familiar não para beneficiar a população como um todo e sim para otimizar suas taxas de natalidade fazendo com que um número maior de filhos sobrevivam.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Manipulando os genes (Cap. 6)

   O capítulo 6 começa respondendo a duas perguntas: a primeira é o que é o gene egoísta? “Ele é toda a réplica de um fragmento particular de DNA, distribuída pelo mundo todo.” E a segunda pergunta é o que um gene egoísta isolado tenta fazer? “Ele tenta se tornar mais numeroso no pool gênico, ajudando a programar os corpos nos quais se encontra, de modo que sobrevivam e se reproduzam.” Com isso, o ponto importante deste capítulo é que um gene pode ser capaz de ajudar a fazer réplicas de si próprio, mesmo que esteja localizada em outros corpos. Então, isto parece ser um altruísmo individual, mas realizado pelo egoísmo dos genes.
   Existem algumas maneiras para que o gene reconheça cópias de si mesmo em outros indivíduos como: quando um possuidor de um gene altruísta realiza atos altruístas ou realizando cálculos de probabilidades de parentes.
   Para explicar o cálculo de probabilidade o autor fala que para pais e filhos a probabilidade de possuírem o mesmo gene é de 50%. Agora se o indivíduo A for tio de B a distância entre as gerações será de 3, e será necessário calcular ½ x ½ x ½, ou seja, (½)3, então se a distância de gerações através de um antepassado for de x, a parte de parentesco será de (½)x.
   Para calcular a distância entre as gerações é preciso identificar um antepassado em comum de A e B. Se A é tio de B, por exemplo, então o antepassado em comum é pai de A e avô de B. O cálculo vai começar em A e subir até atingir o antepassado em comum (Pai de A e Avô de B), depois desça até B. O número total de degraus para cima e depois para baixo é a distância de geração, ou seja, 1 degrau para cima e 2 degraus para baixo (1 + 2 = 3).
   Depois de definido todos esses cálculos, dawkins disserta sobre o altruísmo de parentesco falando que determinados “genes suicidas” acabam salvando a vida de parentes cujo seu grau de parentesco seja confirmado. Com tudo isso, tal gene, em média, tenderá a continuar vivendo nos corpos de um número suficiente de indivíduos salvos pelo altruísta para compensar a morte deste último.
   Dawkins conclui que o parentesco “verdadeiro” pode não ser tão importante na evolução do altruísmo do que a estimativa de parentesco que os animais podem fazer. Pois além do índice de parentesco deve-se levar em conta também o índice de certeza.
   Normalmente é possível ter mais certeza sobre quem são seus filhos do que sobre quem são seus irmãos. Ainda em determinadas espécies a mãe pode ter mais certeza do que o pai a respeito de quem são seus filhos, pois é a mãe que põe o ovo ou dá a luz, então ela tem uma boa probabilidade de saber ao certo quais são os indivíduos portadores de seus genes.