segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Memes: os novos replicadores (Cap. 11)

Dawkins acredita que a cultura é um motivo para supor que a nossa espécie é única. Mas a transmissão cultural não exclusiva do ser humano. O exemplo utilizado para explicar este fato é o canto de um pássaro que habita as ilhas da Nova Zelândia. Nesta ilha existia um repertorio de 9 canções diferentes e os machos cantavam apenas 1 ou outra dessas melodias. Já outros grupos de pássaros cantavam outro tipo de canção. Em algumas situações ocorriam alterações de uma canção originando uma nova melodia chamada por Jenkins de “mutações culturais”. Então Jenkins conseguiu comparar as canções emitidas pelo pai e filho e identificou que os padrões melódicos não eram herdados geneticamente.
O autor afirma que a transmissão cultural é análoga à transmissão genética podendo dar origem a alguma forma de evolução. Os genes são as entidades replicadoras mais comuns no planeta e elas inevitavelmente tornam a base do processo evolutivo. O outro replicador é a cultura humana chamada pelo autor de meme.
Assim como os genes se propagam passando de um corpo para outro através dos espermatozoides e óvulos, os memes pulam de um cérebro para outro através do processo de imitação. A ideia de Deus muito provavelmente foi replicada por palavra escrita e falada, auxiliada por música e arte e o valor de sobrevivência deste meme resulta do apelo psicológico.
No capítulo 2, foi descrito que os replicadores precisam ter algumas características: longevidade, fecundidade e          fidelidade de cópia. Para Dawkins a longevidade é relativamente pouco importante, pois muito provavelmente aquele meme que está no meu cérebro durará apenas até o fim da minha vida. Já a fecundidade é muito mais importante, pois “se o meme for uma ideia científica, sua difusão dependerá de quão aceitável ela é para a população de cientistas”. Agora quando se trata de alta fidelidade, os memes não apresentam esta característica, tendo em vista que quando um cientista ouve uma ideia e depois a transmite, ele provavelmente mudou bastante colocando suas próprias ideias misturadas.
O autor afirma que existem duas coisas que podemos deixar na terra depois que morremos: os genes e os memes. Os genes serão esquecidos depois de três gerações. Mas, caso tenha contribuído para a cultura mundial, a ideia poderá sobreviver intacta por muito tempo mesmo que os seus genes já não exista mais. Este é um lado positivo dos memes.

Finalizando o livro Dawkins diz que os genes egoístas e os memes não possuem capacidade de previsão, eles são replicadores inconscientes e cegos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Você coça minhas costas, eu montarei sobre as suas (Cap. 10)

Neste capítulo dawkins menciona algumas vantagens da convivência em grupo. Para ele, todos os animais que vivem em grupo apresentam benefícios bem maiores do que os investimentos.
Um benefício está relacionado com a proteção contra os predadores. O exemplo utilizado apresenta um animal que é caçado por um predador que tende a atacar sempre a presa individual mais próxima. Esta estratégia, no ponto de vista do predador, diminui o gasto de energia e por outro lado a caça vai procurar manter-se o mais distante do predador, sempre procurando ficar no centro do rebanho e nunca nas extremidades. Este modelo somente explora o egoísmo de cada indivíduo.
Mas existem casos que os indivíduos tentam desempenhar um papel altruísta para proteger os outros membros do grupo, como no caso dos gritos de alarme emitidos por uma ave. Entretanto Dawkins descreve duas teorias em que a ave poderia obter benefícios egoístas por alertar outros membros do bando.
A primeira é quando uma ave detecta um predador e com um alerta rápido avisa aos companheiros que agora vão ficar escondidos, camuflados e imóveis, reduzindo assim a possibilidade de atrair o predador.
A outra teoria consiste na fuga da presa. Se o membro de um determinado bando detecta a presença de um predador e ele foge sem avisar os companheiros, ele fica isolado e mais exposto. Então o interessante seria avisar ao grupo, para que todos possam fugir juntos na mesma direção o que caracteriza um ato egoísta para não ser uma presa fácil.
Outro benefício foi apresentado no capítulo 1 que se refere ao salto da gazela, observado por A. Zahavi e é longe de ser um sinal de alerta dirigido a outras gazelas, mas sim ao predador: "Olhe como sou capaz de saltar alto, sou obviamente uma gazela tão apta e saudável que você não conseguiria me apanhar, e que seria mais inteligente da sua parte se tentasse apanhar a minha vizinha que não salta tanto." Neste caso as gazelas saltitantes apresentam um comportamento egoísta, pois existe uma competição para ver quem salta mais alto. Esta atitude vigorosa demonstra ao predador que esta gazela não é velha e nem está doente, então procure uma presa nessas condições.

Todos esses exemplos demonstram que atitudes individualizadas aparentemente altruístas, na realidade são atitudes que beneficiam um indivíduo egoísta.

A Batalha dos sexos (Cap. 9)

Como já foi dito por Dawkins, no capítulo anterior, que existe conflito de interesses entre pais e filhos compartilhando 50% de seus genes, então o quanto mais difícil deve ser o conflito entre os parceiros sexuais que não apresentam nenhum grau de parentesco? O que os pais possuem em comum é o investimento nos mesmos filhos, mas se um deles investir menos em cada filho poderá conseguir alguma vantagem em propagar ainda mais o seu gene, pois terá mais recursos para investir em outros filhos com outros parceiros sexuais. Em algumas espécies os machos conseguem fazer isso, mas em outras eles são obrigados a compartilhar uma fração igual na criação dos filhos.
O autor neste capítulo investiga a natureza fundamental da diferença entre os sexos. Em mamíferos, a definição do sexo é feita por um conjunto de fatores como: a existência de um pênis, a amamentação, a gestação, etc. Todos esses critérios funcionam para mamíferos, mas para outros animais e plantas em geral, não. Como no caso dos sapos que nenhum dos dois sexos possui um pênis.
Uma característica fundamental que diferencia os sexos masculino e feminino está relacionada com os gametas, onde o gameta masculino é muito menor e mais numeroso do que o gameta feminino. Então como cada espermatozóide é minúsculo, a produção diária deles é bem maior, dando ao macho a capacidade de produzir mais filhos em um menor período de tempo, utilizando diferentes fêmeas.
Existe uma discordância de quem é a responsabilidade de criar cada filho, mas como o investimento materno é maior por causa de o gameta ser maior e mais nutritivo, a mãe tem um comprometimento melhor com cada filho em relação ao pai.
No caso de abandono do pai, a fêmea pode enganar outro macho ou abortar o filhote mesmo depois de todo o investimento. Outra opção é criar o filho sozinho, o que será mais vantajoso se o filho for mais velho, por causa do maior investimento por parte da mãe, e terá menos exigência na sua criação. A vantagem será sempre daquele que abandonar primeiro, então, a fêmea que se sentir ameaçada de abandono poderá desertar antes do que o seu parceiro.

Dawkins também analisa a diferença entre machos e fêmeas, em que os machos para conseguir sua parceira sexual exibem cores vistosas, e as fêmeas exibem uma aparência mais monótona. Por um lado, essas cores brilhantes podem também atrair predadores, mas por outro lado, cores mais pálidas podem ter menos probabilidade de conseguir fêmeas.