quarta-feira, 30 de setembro de 2015

AGRESSÃO: A ESTABILIDADE E A MÁQUINA EGOÍSTA (Cap. 5)

   O capítulo 5 vai falar principalmente do tema agressão, onde temos uma máquina de sobrevivência que quando for agredida ela tende a contra atacar para proteger o futuro dos seus genes. As máquinas de sobrevivência que preservam os seus genes podem utilizar a seleção natural para tirar vantagens, sejam máquinas da mesma espécie ou de espécie diferente.
   As máquinas de sobrevivência da mesma espécie possui uma influência direta na vida das outras. Pois esta máquina constitui potenciais parceiros sexuais e também por serem da mesma espécie eles buscam preservar os mesmos genes e apresentam o mesmo padrão de vida, ou seja, eles competem diretamente pela fêmea e qualquer outro recurso.
   No caso de máquinas de sobrevivência de espécies diferentes a influencia de uma com a outra pode acontecer de varias formas. Elas podem competir por algo muito escasso, podem ser presas ou predadores, ou podem ser parasitos ou hospedeiros. Um exemplo que o autor utiliza de uma espécie explorando outra é o caso das abelhas que são usadas como agentes polinizadores pelas flores.
   As máquinas de sobrevivência podem em alguns casos influenciar muito pouco a vida de uma espécie com outra da mesma espécie ou espécie diferente e a falta total de uma espécie pode influenciar consideravelmente a vida da outra, mas a eliminação de uma determinada espécie não necessariamente trará vantagens para aquela espécie que o eliminou, mas sim para uma terceira espécie, como no exemplo utilizado no livro: existem duas espécies B e C e ambas são minhas rivais. Eu me encontro com a espécie B e com um comportamento egoísta penso em eliminá-la, mas B também é rival de C. Então eliminando B estarei beneficiando C indiretamente e talvez esteja tão cansado da batalha com B que não conseguirei usufruir dos benefícios da minha vitória. Esta eliminação então trará mais benefícios para a espécie C do que para a espécie vencedora.
   Por fim o autor fala sobre a estratégia evolutivamente estável (EEE), onde esta estratégia consiste em um comportamento pré-programado: “Ataque o adversário; se ele fugir, persiga-o; se ele contra-atacar, fuja". Para explicar a EEE ele utiliza a estratégia do falcão e a estratégia do pombo, onde o falcão luta até estar seriamente ferido ou ocorra a morte do seu oponente e o pombo luta fazendo ameaças sem ferir o adversário.

A MÁQUINA GÊNICA (Cap. 4)

   O autor explica que este capítulo é sobre o comportamento onde “Os animais tornaram-se veículos ativos e vigorosos dos genes: máquinas gênicas”. O músculo é o dispositivo onde todos os animais conseguem se movimentar de forma rápida. Ele compara o mecanismo de regulação dos movimentos com o computador eletrônico, embora dizendo que o funcionamento básico é bem diferente um do outro. A célula nervosa ou neurônio e a unidade essencial dos computadores biológicos e não possui nenhuma semelhança a um transistor no seu funcionamento básico.
   As contrações musculares são importantes para a máquina de sobrevivência tendo o cérebro com seus neurônios uma grande contribuição no controle e na coordenação dessas contrações. Dawkins fala que os genes conseguem controlar de forma indireta o comportamento da máquina de sobrevivência instruindo-as com estratégias para poder viver, como se fosse um programador.
   Dawkins afirma que os genes possuem uma condição de poder fazer previsões gerais como a dos genes de um urso-polar que prevê que o futuro de sua máquina de sobrevivência será frio, então eles constroem uma camada de pêlos bem grossa e esses pêlos serão brancos para facilitar a camuflagem, mas isso só acontece porque isso já foi feito em ursos anteriores.
   As previsões são sempre difíceis de serem feitas então é função dos genes programarem os cérebros para que sejam tomadas decisões compensadoras. Como no exemplo citado pelo autor onde um indivíduo com sede procura uma nascente para beber água, mas esta nascente também é utilizada como isca por predadores. Então o que deve ser feito: retardar a ida à nascente até que se tenha muita sede para então poder beber muita água e diminuir assim a quantidade de vezes, mesmo que fique um tempo bem maior com a cabeça abaixada; ou beber pouco com um número de visitas maior enquanto passa correndo pela nascente.
   São os genes que vão determinar o comportamento dizendo como que as máquinas de sobrevivência e os sistemas nervosos são construídos, mas a decisão do que vai ser feito é decidido pelo sistema nervoso e conforme o cérebro se torna mais evoluído, maior é sua responsabilidade de tomar uma atitude mais adequada.

domingo, 27 de setembro de 2015

Espirais imortais (Cap. 3)

   No terceiro capítulo, o autor afirma que todos os animais, vírus bactérias e plantas são máquinas de sobrevivência e que apesar de apresentarmos uma enorme diferença na morfologia e nos órgãos internos, todos os seres apresentam semelhanças na estrutura química fundamental.
   Dawkins fala sobre a molécula de DNA, os nucleotídeos e a dupla hélice ou "espiral imortal". Destaca que os homens apresentam 4 nucleotídeos (G, C, T e A) formando o DNA e que os nucleotídeos dos homens são idênticos aos nucleotídeos dos caramujos. Entretanto, a sequência desses nucleotídeos no homem é diferente com a sequência no caramujo e também em outro homem, com exceção dos casos de gêmeos idênticos. Para o autor, as moléculas de DNA possuem duas funções: uma é na supervisão indireta da produção de proteínas, e a outra é na replicação criando cópias de si mesmo. Ele discorre que a fabricação das proteínas é a ponto inicial para a formação de um corpo.
   Segundo Dawkins a produção dos corpos é controlada indiretamente pelos genes e as características adquiridas ao longo da vida não são passadas para a prole. Conclui-se então que a produção dos corpos é uma forma de os genes permanecerem inalterados, por este motivo ele afirma que os genes são uma unidade duradoura e que os indivíduos são apenas veículos temporários para uma combinação passageira de genes.
   A máquina de sobrevivência apresenta inúmeros genes. A partir desta enorme quantidade é que ocorre a produção de um corpo não sendo possível conseguir diferenciar qual a contribuição que um determinado gene tem em relação ao outro. Dawkins enfatiza que estes genes não podem ser escolhidos pelos indivíduos, mas a população possui um "Pool gênico" que é um conjunto completo de alelos que são encontrados no material genético de cada indivíduo.
   O alelo está diretamente relacionado com a rivalidade dos genes para a caracterização de algo. O exemplo utilizado pelo autor é a concorrência dos olhos castanhos com os olhos azuis em que o gene para olhos castanhos é dominante sobre o gene para olhos azuis. Determinando assim que uma pessoa só terá olhos azuis quando ambas forem unânimes.
   O autor deixa subentendido que os genes são uma unidade potencialmente imortal ao passo que os corpos são apenas temporários.

Os replicadores (Cap. 2)

   No segundo capítulo o autor tenta explicar uma teoria sobre a origem da vida, utilizando a "lei da sobrevivência do mais apto". Esta teoria está relacionada com a competição ou predominância onde Dawkins afirma que a sobrevivência do mais apto se refere à sobrevivência do mais estável, em um nível molecular e que a sobrevivência dessas moléculas se dá pela replicação. Todos os seres vivos vivem lutando constantemente para sobreviver, pois dentro da cadeia alimentar existem predadores e parasitas competindo para obter a melhor estratégia para vencer a luta pela sobrevivência.
   A luta pela sobrevivência vai depender de 3 fatores que vão favorecer determinadas moléculas em relação as outras durante a replicação. Esses fatores são: a longevidade, o poder de se replicar com maior velocidade e o poder de reproduzir-se com uma menor quantidade de erros. As moléculas replicadores de alta longevidade acabam sendo as mais numerosas tendo assim um tempo muito maior para reproduzir; o outro fator está relacionado com a velocidade de fecundação, neste temos uma molécula reproduzindo em uma velocidade maior que a outra, esta mais reprodutiva apresenta uma "tendência evolutiva" maior com isso em pouco tempo teremos uma molécula superando a outra; a terceira característica das moléculas replicadoras está relacionada com a precisão de replicação, onde temos duas moléculas reproduzindo ao mesmo tempo e na mesma quantidade, mas a molécula X erra menos que a molécula Y então a molécula X tende a ser a mais abundante.
   Segundo Dawkins a estabilidade das moléculas replicadoras está no sentido delas durarem por muito mais tempo, ou em uma maior velocidade de replicação ou com uma melhor precisão e a competição dessas moléculas replicadoras acaba sendo um mecanismo de proteção onde as que possuem essas 3 características são as que vão se destacar e sobreviver. Mas à medida que os replicadores se tornavam as moléculas mais abundantes, aquelas moléculas menos favorecidas que se tornaram nas de menor quantidade acabam se tornando uma molécula mais escassa e muito mais preciosa. Dawkins então conclui que as linhagens menos favorecidas teriam se tornado menos numerosas devido à competição, e que muitas delas devem ter se extinguido.

Por que são as pessoas? (Cap. 1)

   No primeiro capítulo “Por que são as pessoas”, o autor pretende explicar como ocorreu a evolução. Dessa forma, consegue-se perceber que características são herdadas geneticamente, no entanto, elas não são fixas e inalteradas durante o decorrer dos anos e a reprodução das espécies. Segundo ele, existem muitas concepções sobre isso, algumas até podem ser consideradas errôneas - vide o texto do livro “On aggression” de Lorenz. No qual ele afirma que o bem do indivíduo (gene) prevalece sobre o bem da espécie (grupo). Com esse propósito, Dawkins escreveu este capítulo porque independentemente de qualquer coisa, isto é um assunto importantíssimo para o ser humano por tocar todos os aspectos sociais, psicológicos e morais do indivíduo.  No livro, o autor tenta convencer o leitor, por meio de técnicas argumentativas, sobre como os comportamentos egoístas e altruístas afetam a evolução. Em uma perspectiva mais clara, os comportamentos altruístas propiciam a seleção de grupo - aumentando o bem estar do outro, mesmo que isto possa acarretar em um dano a si mesmo; e os comportamentos egoístas favorecem apenas a seleção natural do indivíduo - sendo exatamente o oposto da anterior, em que uma ação beneficiará o próprio, mesmo que isso cause danos ao terceiro.
   Para justificar o perfil egoísta, o autor dá alguns exemplos como o das gaivotas. Nesse as gaivotas de cabeça preta esperam o vizinho deixar o seu ninho, a fim de buscar comida. Dessa maneira, a gaivota de cabeça preta aproveita-se da ausência da outra ave e, egoistamente, vai até o ninho deste e alimenta-se de seus filhotes. Por conseguinte, a gaivota, além de obter uma ótima refeição nutritiva sem precisar ir longe, não deixa o seu ninho totalmente desprotegido, á mercê de predadores. O outro exemplo é o canibalismo das fêmeas do louva-a-deus. Essas, no ritual de acasalamento comem a cabeça do macho. Desse modo, em uma visão primária, ela se alimenta e adquire mais nutrientes para o seu desenvolvimento. Além disso, é possível que o desempenho sexual do macho aumente com esta atitude. Por outro lado, para explicar o altruísmo ele utiliza como exemplo o comportamento de aferroar das abelhas operárias a fim de salvar o mel de possíveis ladrões; nessa situação, o ato de picar pode ser identificado como altruísta, visto que a abelha operária morre na tentativa de repelir o invasor. Por fim, existem espécies de pássaros que fazem o seu ninho no chão, no entanto isso é um grande risco devido a facilidade de acesso aos predadores. Assim, quando se aproxima um desses, a ave afasta-se para longe do ninho e, simulando uma asa quebrada, ela as abre; atraindo, então, a atenção do predador para que ao aproximar-se, a ave escapa e volta para o ninho com segurança.
   Nota-se, portanto, que o autor defende um ponto de vista muito próprio, em que a evolução é pautada em comportamentos egoístas e altruístas.